Amigos...Após uma longa (?) ausência, eis-me de volta para falar… sobre amigos. Não, não são aqueles amigos que temos na nossa lista de contactos no telemóvel. São outros amigos. Amigos que, aparentemente, nos pedem tudo e pouco nos dão em troca, mas que, na verdade, nos ensinam coisas que nós nem sequer conseguimos imaginar.
Certa vez, há cerca de quatro meses, uma associação de apoio aos animais - não interessa qual - ia realizar uma acção de recolha de donativos e de adopção numa dada superfície comercial da Margem Sul. Como sabia que a associação estava com sérias dificuldades em angariar voluntários para realizar esta iniciativa, ofereci-me para ajudá-los, ainda que os meus préstimos fossem algo limitados.
Posso dizer-vos que foi um dia bem passado, apesar de algo cansativo. A simples sensação de ter ajudado gente boa e caridosa fez-me sentir bem, deixando-me com vontade de, no futuro, voltar a participar em acções de voluntariado.
Não foi um sábado perdido ou gasto. Na verdade, foi um dos sábados mais bem utilizados de que tenho memória.
Contudo, entre os vários animais que se encontravam para adopção, estavam duas cadelinhas rafeiras, que não paravam de saltitar dentro do cerco improvisado onde se encontravam. Uma delas, uma cadelinha preta muito meiga e irrequieta, não parava de olhar para mim e de me pedir festas, como se implorasse para eu a levar dali para um lar acolhedor.
Infelizmente, não pude oferecer um lar a este animal doce e meigo. Já recolhi animais suficientes para ter ouvido um veterinário dizer-me: “Tu não podes recolher todos os animais que encontrares na rua! Põe vendas nos olhos!”Não pude levar aquela cadelinha preta e, ao que sei, ela não foi adoptada naquele fim-de-semana. Mas aquele olhar terno e meigo nunca me saiu da memória (talvez porque a cadelinha se parece com um outro cão que está aqui em minha casa, o qual tirei das ruas de Almeirim). Por vezes, ponho-me a pensar: Será que este animal encontrou um dono? Será que ela está bem? Ou será que ainda está no canil da associação, à espera de dias melhores?Na verdade, adoptar um cão ou um gato é um gesto algo estranho, mas que pode ajudar-nos imenso. Passo a explicar.Em princípio, um cão ou um gato (enquanto animais de companhia) não nos pode oferecer nada, a não ser a sua amizade e carinho. Pelo contrário, nós, bons donos, teremos que lhes oferecer muitas coisas - alimento, vacinas, consultas no veterinário, cuidados de higiene, uma cama para dormir… e também amizade e carinho. Ou seja, à partida, o “negócio” parece ser bastante mais interessante para os animais do que para os donos.Contudo, nós, donos, ganhamos algo de que não nos apercebemos. Ao darmos, de forma desinteressada, tantas coisas a estes seres indefesos que tiramos das ruas (ou das associações), estamos a aprender a não sermos egoístas. Aprendemos, sobretudo, o sentido da dádiva. Descobrimos que podemos oferecer algo, sem esperarmos algo em troca que não seja um sorriso (à sua maneira, os animais também sabem sorrir e mostrar gratidão). Compreendemos que um animal não é apenas um ser de uma determinada raça, mas sim um amigo - e os amigos, os verdadeiros, não tem raça, porque nós sabemos gostar deles do modo que eles são.
Em suma, tornamo-nos pessoas melhores e fazemos despontar o que de melhor há em nós.O problema reside no facto de haver demasiadas pessoas que não querem fazer despontar esse lado bom… provavelmente porque não o têm. O facto de existirem milhares de animais abandonados pelas ruas (ou recolhidos por associações que tentam apenas ser um mal menor para estas criaturas desafortunadas) leva-me a supor que há demasiadas pessoas más no Mundo, pessoas sem sentimentos, com um coração muito negro e que apenas são capazes de olhar para os seus próprios umbigos.Quem abandona um animal, também é capaz de abandonar um amigo… e, quem sabe, o pai, a mãe, os irmãos ou mesmo os filhos. Por isso, não confiem numa pessoa que abandona animais - é uma pessoa má.
Coisas de facasPassaram-se semanas sem actualizar este meu pobre blog.Enfim, ossos do ofício. Depois de uma desagradável ida à "faca", tenho estado convalescente em casa, numa tentativa de regresso à normalidade. Claro está, daqui a umas três semanas, até já vou poder conduzir ou pegar em coisas pesadas, mas, por agora, recomenda-se sopas e descanço ao senhor que escreve.Mas...Se eu estou em casa, sem grande coisa que fazer, porque é que não vou escrevendo uns textos?Sucede que os antibióticos, analgésicos, dores (ainda não desapareceram) e noites mal dormidas não me deixam grande cabeça para escrever. Não sei como é que conseguirei escrever um grande texto, com pés e cabeça, se ainda me vejo negro para conseguir apanhar um maço de tabaco que vá parar ao chão...Porém, prometo regressar.
O texto que eu vos estava a dever...Tudo bem, eu sou homem e, como tal, deveria defender os homens. Mas não sou cego e nem finjo sê-lo. Há erros que duraram por gerações inteiras.
Não obstante custar-me admiti-lo, a verdade é que nós, homens, fomos ensinados a ser extremamente egoístas. Muitos de nós ainda o somos e, em grande medida, não percebemos o mal que estamos a causar, por exemplo, aos nossos filhos. Mas, ao sermos egoístas, estamos a causar um grande mal a todos os que nos rodeiam, ao Mundo… e, sobretudo, a nós mesmos.
Passo a explicar.
Durante largos séculos - e até há pouco mais de duas décadas - o homem era entendido como o “paterfamilias”, líder soberano (e tirano?) da casa, pequeno palácio onde era rei e senhor e onde todos existiam para o servir.
Por norma, era o homem quem ganhava sustento para a mulher e para os filhos (e para a criadagem, quando ela existia), sendo também ele a autoridade máxima do lar. Mesmo nos lares em que a mulher também trabalhava no exterior para ajudar nas contas, este segundo ordenado era entendido como um complemento aos rendimentos trazidos pelo homem. A mulher não tinha uma carreira, apenas ajudava a engordar o orçamento.
Por conseguinte, toda a família apenas jantava quando o “paterfamilias” chegava à mesa, mesmo que tal acontecesse às 22h00 e todos estivessem já esganados de fome - decerto que esta é uma imagem que muitos conheceram. Toda a família teria que comer apenas aquilo que o homem desejava (mesmo que os demais presentes à mesa detestassem a iguaria que tinham diante de si), não obstante o facto de este “rei e senhor” da casa não ter tido qualquer participação na elaboração da dita refeição. Lembro-me também de ouvir uma história de décadas idas em que, numa dada casa, havia apenas dinheiro para comprar um bife, o qual era atribuído ao homem, porque era ele quem trabalhava - os filhos, esses, teriam que se contentar com arroz, mesmo que estivessem em fase de crescimento.
Na melhor das hipóteses, o homem apenas tomava parte numa pequena parcela das tarefas domésticas… mas apenas naquelas que se poderiam considerar trabalhos de acordo com a sua virilidade masculina e intocável, como pregar pregos, arranjar canalizações, entre outros.
Cuidar dos filhos? Não, isso era uma tarefa exclusivamente feminina, sendo que o homem serviria apenas para ter a palavra final nos assuntos que bem entendesse (como, por exemplo, os namoros dos filhos e, especialmente, das filhas). Adormecer as crianças, ler-lhes uma história, cantar uma canção de embalar… não, nada disso.
Este homem entendido como o “paterfamilias” era, na verdade, uma criatura egoísta e má, que agia no seu lar como um rei despótico. Lembram-se daquelas canecas do Benfica que diziam: “Nesta casa mora um bom chefe de família”? Pois é…
Porém, os tempos mudaram e os lares deixaram de ter “reis”. Nos tempos que correm, não é invulgar encontrarmos casais onde a mulher aufere uma remuneração superior à do marido. Há alguns anos, tal situação ainda era encarada com alguma estranheza, mas, nos tempos que correm, já é vista como uma coisa perfeitamente normal. O homem já não é o elemento protector do lar, mas sim um dos dois elementos que forma o casal. Já não é o “presidente” da empresa, é somente um dos sócios, com 50% do capital social.
De uma maneira ou de outra, as coisas caminham para a igualdade, embora ainda haja muito a fazer para que os pratos da balança estejam verdadeiramente equilibrados
Neste contexto, os lares passaram a ter, isso sim, “príncipes”: Os filhos do casal, cujo futuro e bem-estar acaba por determinar a acção dos pais no futuro (mesmo quando estes estão já divorciados).
Para a mulher, colocar os filhos no centro da vida é algo que não se afigura tão difícil, uma vez que, desde tenra idade, o sexo feminino é ensinado a conviver com a questão da maternidade. Afinal, oferecemos bonecas às meninas, que assim aprendem a imaginar-se no papel de mães, a trocar fraldas e a dar o biberão aos petizes de tenra idade. Para os homens, ensinados a mexer em carrinhos e legos, as fraldas e os biberões são ainda elementos estranhos, embora seja de reconhecer que muitos homens se esforçam para tentar ajudar as suas companheiras nos primeiros meses e anos do rebento.
Porém, muitos homens ainda têm em si o espectro da educação antiquada, machista e egoísta que tiveram. Para muitos homens, ainda está presente a imagem do “paterfamilias” despótico, sentado à cabeceira da mesa ao jantar ou a ler o jornal enquanto a mulher aspirava a sala.
O combate a estes espectros do passado é um dos grandes desafios do homem moderno, que tem mesmo que se adaptar ao século XXI sob pena de acabar sozinho. Sim, porque as mulheres conquistaram a sua independência jurídica e financeira e, como tal, tornaram-se mais exigentes na escolha dos seus parceiros. Hoje em dia, muitas mulheres até já nem dão grande importância ao ordenado dos parceiros, posto que elas próprias têm dinheiro para si mesmas. No entanto, rejeitam a imagem do homem que passa o tempo todo no bar com os amigos, que tem amantes, que vê futebol e bebe cerveja enquanto a companheira faz a lida doméstica - aliás, esta é a imagem do homem candidato a ter que recorrer a prostitutas para se “satisfazer”.
Presentemente, os homens passaram a ter cuidados com a aparência que, anteriormente, eram exclusivos da mulher. O próprio autor destas linhas utiliza alguns cosméticos para limpar a pele ou para disfarçar aquelas olheiras (fruto das insónias) e ninguém se espanta com isso. A minha masculinidade não está posta em causa pelo facto de eu me preocupar com a minha pele - o que está mesmo em causa é a minha aparência.
Com a crescente independência das mulheres, também os homens mudaram. Tornaram-se mais cuidadosos com a sua aparência e mais preocupados em ajudar nas tarefas do lar… e, sobretudo, na educação dos filhos. As mulheres tornaram-se mais exigentes e os homens tiveram que se adaptar. Mas também os homens passaram a fazer outras exigências em relação às suas companheiras, exigências essas que não se limitam ao peito e ao rabo.Entretanto, temos ainda os velhos “machos latinos” - peludos, suados e senhores dos seus farfalhudos bigodes - cada vez mais candidatos a uma solidão que só os conduzirá à extinção. Nota: Quem leu o "Notícias da Manhã" de hoje já deve ter deparado com uma variante deste texto... que é do mesmo autor.
I know...Sim, sim, eu sei…
Não actualizo isto há vários dias.
Ando possuído por uma estranha crise de inspiração.
E alguma preguiça, misturada com certos afazeres quotidianos.
Curiosamente, tenho um texto pronto para postar. Um artigo de opinião para um jornal. Mas não me apetece fazer-lhe uma revisão para pô-lo aqui.
Mas prometo que o farei…
… talvez amanhã.
Talvez depois…
Não sei…
Um País pequeno (e cheio de gente pequena)
Desta vez, apetece-me falar de um assunto mais sério.Teve inicio na segunda-feira (o dia desta postagem) uma mega-operação da PSP, destinada a fiscalizar o transporte escolar colectivo e o transporte particular de crianças. Sinceramente, fico pasmo como é que só agora as autoridades decidiram fazer alguma coisa em relação a esta situação. Será que, durante anos, andou tudo a dormir?
Não é segredo para ninguém que, em muitos autocarros escolares, as crianças são transportadas como carne para o matadouro. Por norma, quanto mais crianças se conseguir enfiar num dado veículo, melhor, mesmo que muitos petizes viajem sentados no corredor de um autocarro. O problema é que estas situações não se verificam somente no transporte até à escola, mas, por exemplo, em visitas de estudo ou naquelas famosas viagens de finalistas. Sim, conheço casos de crianças e jovens que viajaram sentados no corredor do autocarro em trajectos de centenas (ou mesmo milhares de quilómetros).
Porém, tal situação verifica-se porque muitos pais também transportam as suas crianças como quem transporta um saco de batatas. Peço desculpa… muitos pais, têm mais cuidado a acondicionar um saco de batatas no interior da viatura do que a acomodar os seus rebentos.Quem pretender constatar, in loco, uns quantos casos de perfeito desleixo, necessita apenas de se deslocar à escola mais próxima, onde, decerto, irá encontrar exemplos verdadeiramente alarmantes. Não é invulgar vermos viaturas onde os petizes viajam sem cinto de segurança e, não raras vezes, em pé. Automóveis com cinco crianças “encafuadas” no banco posterior também não são invulgares.
Mas tudo isto acaba por nos conduzir a um problema de fundo, cuja resolução aparenta ser deveras complexa.
No fundo, no fundo, o povo português não é um povo adulto e, como tal, não sabe lidar com as suas crianças. Não quero estar aqui a generalizar (afinal, existem muitos pais excelentes, extremosos e cuidadosos), mas, há mais de 20 anos, um pediatra costumava dizer à minha mãe: “Se eu mandasse, mais de metade dos pais jamais teria filhos”. Isto passou-se há duas décadas, mas nem mesmo a entrada num novo milénio fez com que o estado de coisas se alterasse, porque, no fundo, o povo que habita este País é o mesmo - está mais rico e melhor informado, mas continua tão infantil como antes.
Esta infantilidade dos portugueses faz-se notar nas mais pequenas coisas. Na forma como os colégios e escolas transportam os alunos, no modo como os pais levam os filhos dentro do carro e nas próprias autoridades, que, durante demasiado tempo, acharam que esta incúria era perfeitamente normal. Por outro lado, Governos supostamente preocupados com a baixa taxa de natalidade ainda não pensaram, por exemplo, na redução do IVA que incide sobre os dispositivos de segurança para transporte das crianças, como os “ovos” ou cadeirinhas.
Mas existem outros sinais, como o endividamento das famílias acima das suas posses - qualquer adulto deveria, em princípio, saber gerir o seu orçamento familiar. No mundo do trabalho, a vontade de ir para casa (ou para o cinema) ultrapassa o dever a cumprir… embora muitos patrões também optem pela aquisição de dispendiosas viaturas ao invés de cumprirem com as suas obrigações sociais enquanto empregadores. Depois, temos gestores públicos que gastam 2,5 milhões de euros na decoração de gabinetes provisórios, de uma forma tão irresponsável que deveria dar direito a que os responsáveis por esta brincadeira fossem privados até do direito de voto.
Claro está, nem vou falar na forma lastimável como os animais são tratados neste País, porque isso já nem é um sinal de infantilidade. É, isso sim, uma marca de uma educação carente dos mais elementares valores morais. Mas essa educação é dada… pois, por pais e professores perfeitamente infantis, incapazes de transmitir aos mais novos aqueles elementares valores morais que jamais receberam.
Curiosamente, Portugal é, por tradição, um País beato e católico. Ora, em principio, um dos elementos basilares da religião deveria ser o ensinamento de valores morais básicos e universais, que transcendem a esfera do catolicismo. Todos nós deveríamos ter essa percepção básica de que, por exemplo, matar ou roubar são actos condenáveis.
Infelizmente, para as pobres crianças-adultas deste País, o que interessa é baptizar os meninos e ir a Fátima uma ou duas vezes por ano. Dá-se primazia ao acessório, descura-se o essencial, numa prova de total falta de maturidade.
Eles estão sempre aquiUma vida não é um romance, mas sim uma espécie de livro de contos. Muitas histórias, todas elas com um elo em comum (o autor), sendo que cada uma representa uma fase distinta da existência.
À medida que viramos as páginas, novas personagens surgem, bem como novos cenários, novas peripécias, novos amores, novas desilusões, novos sofrimentos e novas vitórias. Mas há sempre aquelas personagens que, de alguma forma, estão presentes em todos os contos. São os amigos, os amigos verdadeiros.
E nenhum autor é capaz de “matar” estas personagens tão especiais. Por isso, o meu obrigado a todos os verdadeiros amigos do Mundo - os meus, os teus, os nossos, os vossos, TODOS. Vos sois um espectáculo.
Futuro: Uma contradição?
Se há coisa que eu abomino é o futuro. Acho doentio imaginar que se possa gastar toda a uma vida a pensar neste tempo, que, em rigor, nem sequer existe.
Abomino o futuro, por tudo aquilo que ele representa. Ele representa um algo tão vago e tão incompleto. Ele faz-se apenas de sonhos, de perspectivas, de planos, de um conjunto de coisas que podem perfeitamente ir ao chão no momento em que se transformam em presente. O futuro é uma ilusão, um veneno.
Mas o futuro é também um enorme ponto de interrogação, um amontoado de dúvidas e perguntas à espera de uma resposta. O futuro é uma abstracção bizarra, um enorme peso na consciência quando tentamos vivê-lo no presente… e nós vivemos o futuro no presente sempre que sonhamos.
E sonhar é viver.
Que merda de contradições…